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sábado, 26 de setembro de 2009

E tudo o vento vai levando

Aqui há dias uma amiga dizia-me mais ou menos assim: "nem acredito que vou fazer 42 anos, parece-me que ainda nem cresci, como é que eu vou envelhecer se ainda nem cresci?". E tenho andado a ruminar nisto porque é o que eu sinto, sinto que ainda não cheguei a adulta, sinto uma grande infantilidade em mim.
Sinto-me pouco à vontade em meios formais, tenho dificuldade em ser uma senhora, ou melhor, em aceitar que estou uma senhora, porque é disso que se trata, tornei-me numa senhora, senhora dona, senhora doutora, madame. Nem dei por ela, e custa-me engolir esta condição, tenho dificuldade em aderir a esta pele e ao mesmo tempo tenho medo do ridículo de chegar aos 40 anos e (querer) parecer uma eterna adolescente como tantas que há por aí, também não me revejo nesse papel e tenho medo dele. Ainda não cheguei aos 40, nem sei se lá chegarei, mas andam-me a complicar com os nervos.HELP

domingo, 9 de agosto de 2009

o meu coraçãozinho está triste

...porque estive a ver fotografias de há uns anitos atrás (10/15 anitos), e cheguei à conclusão que estou a ficar uma carcaça....snif, snif, snif
Não, não sou uma gaja de grandes artifícios, nem de obsessões com beleza, forma física,etc (oxalá fosse um bocadinho mais). Mas custa-me muito aceitar que estou uma senhora, foda-se, até já fui fazer a minha primeira mamografia, aliás uma experiência linda, recomendo vivamente, qualquer dia estou a fazer o quê? Uma poupança reforma? A ver lares for myself? Daaaaaasssssssseeee

segunda-feira, 9 de março de 2009

Gormitis e princesas

Ainda me lembro quando era adolescente e das figurinhas tristes que fazia. Lembro-me de usar calças cheias de alfinetes de dama a decorar, era o máximo, lembro-me de usar bâton vermelho esborratado a imitar o Robert Smith dos The Cure, lembro-me do escarcéu que o meu pai me fez quando se deu conta que eu tinha feito um segundo furo na orelha, lembro-me ainda de usar rímel azul turquesa (que horror como é que se pode usar rímel azul? que foleirice, mas ainda hoje há quem use, precisamente aquelas que pararam nos anos 80) e para piorar às vezes ainda achava lindo pôr uns laivos desse mesmo rímel, comprado nas bancas dos ciganos, ainda não havia chineses, no cabelo, arghhh! Ainda no campo da maquilhagem, lembro-me de pintar os olhos de preto para dar um arzinho meio dread meio fatal. Lembro-me de usar mini saias impossíveis e sentir-me boa comómilho. E lembro-me de ter como ídolos os Duran Duran, Cóhorror o ano passado dei de caras com eles no aeroporto e não os reconheci, traí-me a mim própria. Lembro-me de ler Julias, Sabrinas e quejandos. Lembro-me de adorar vodka com laranja, cuba livre e de ter começado a fumar aos 14 anos, roubando tabaco ao meu pai, e de sonhar com a beleza do Futre, credo!
Comprava a Miúda, a Coquete e a Bravo em alemão, de que não percebia um cará mas de onde tirava os pósters dos gajos mais lindos para forrar as paredes do quarto.
Lembro-me dos esquemas para sair, ir a matinés (no paleolítico inferior era assim, ia-se a matinés), ir ao cinema ver maravilhas como Top Gun, Karaté Kid, Oficial e Cavalheiro, etc.
Posto isto e, reconhecendo que fui muitas vezes norteada por gosto duvidoso, terei moral para criticar as calças a cair pelo cu abaixo, muitas vezes instaladas já mesmo abaixo das nádegas, os piercings horríveis que se vê por aí, as tatuagens, as rastas, o estilo gótico, etc?
Como é que eu vou conseguir proporcionar um generation gap como deve de ser aos meus filhos se ainda tenho isto tudo, e muito mais, tão presente na minha memória?
Será que vou conseguir criticá-los como deve ser?
Ai mê pai!
Por enquanto eles ainda só pensam em Gormitis e princesas, mas isto passa rápido.

terça-feira, 3 de março de 2009